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Para aprender com os Millenials

Virou lugar comum bater nos millenials. Esta geração, que tem – segundo a maioria dos autores –  entre 20 e 35 anos de idade é o saco de pancadas preferido do momento. Acusações não faltam: mimados, egoístas, sem apego a nada, desatentos… Daria para encher uma página inteira com tudo o que se diz desta geração. Mas será que não veio nada de bom no “pacote”? Claro que sim. E hoje nós decidimos destacar aqui algumas questões que ganharam muita força graças a esta geração e pelas quais deveríamos – todos – ser muito gratos.

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Primeiro uma questão de ordem: é absolutamente injusto jogar todo mundo no mesmo saco como se não houvesse diferenças individuais. “Toda generalização é burra”, já ensina o ditado.  Com certeza, não são todos os jovens que se enquadram nas características descritas acima. O perigo dos rótulos é criar pré-julgamentos e enquadrar num mesmo padrão qualquer pessoa desta faixa etária.

Dito isto, vamos ao que interessa. Nunca na história do trabalho se deu tanto valor ao motivo pelo qual executamos nossas tarefas. Este sentido do trabalho é uma exigência típica dos millenials. Muito mais do que exercer mecanicamente as funções, “porque sempre foi assim” ou “porque alguém mandou”, queremos ver um sentido, um propósito, uma lógica nisso tudo.

Reconhecimento.  A avaliação precisa sobre a qualidade do trabalho, baseada em evidências e fatos, nunca foi tão valorizada quanto agora. Empresas que pretendem reter seus jovens talentos precisam ter uma política clara de avaliação e reconhecimento. Nada de passar a mão na cabeça de quem não desempenha o esperado. Nada de “esquecer”  quem faz ótimos trabalhos. Jovens necessitam de modo vital receber reconhecimento. A ausência dele talvez seja a maior fonte de frustração e turnover.

Transparência e clareza. Millenials não reagem bem ao que não entendem. Quais objetivos e metas estão envolvidos na questão? Onde se pretende chegar com isso? E mais: será que não existe outra forma atingir o resultado, inclusive com ganhos de eficiência e produtividade? Mais uma vez: a imposição pura e simples vinda “de cima” não encontra ressonância nas novas gerações. E é um dos principais motivos de desestímulo e o conseqüente abandono do trabalho.

Resultado social. Por algum motivo ainda obscuro, a geração millenial reabilitou um ideal da geração hippie dos anos 60/70: a contribuição efetiva para a melhoria da sociedade. O objetivo egoísta, o resultado que beneficia apenas um pequeno grupo, são cada vez menos atraentes para os jovens. Não basta gerar lucros para meia dúzia de acionistas se não houver também um contexto de compartilhamento social. Empresas que adotam o compromisso social fazem brilhar os olhos da garotada.

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Relações mais humanas. O ambiente de trabalho deixa de ser apenas o local onde ganhamos um salário e passa a ser um lugar de realização pessoal, onde também se busca felicidade. Assim, as práticas desleais nas relações profissionais, o autoritarismo e a prepotência perdem lugar para um sentido coletivo, onde muitas vezes se abre mão do protagonismo individual e se busca o resultado coletivo. Ganham espaço as lideranças compartilhadas e positivas, a ajuda mútua e o crescimento com qualidade.

Lealdade. talvez este seja o ponto mais polêmico e, também, o mais importante para as empresas entenderem como se dá o afastamento do jovem. Durante muito tempo ser leal à uma empresa era uma questão de empregabilidade. As organizações ditavam seus valores e, independentemente de praticá-los, exigiam a concordância. Só que muitas vezes esta suposta aderência por parte do funcionário era superficial, não existia no nível de comprometimento pretendido. Isto se dava, principalmente, pelo descompasso entre discurso e prática. A empresa prega uma coisa, mas faz outra. Como confiar?  Hoje não basta à empresa adotar um discurso bonito, moderno e politicamente correto: é preciso que seja absolutamente verdadeiro. Millenials estão ensinando a todos que lealdade, nas palavras do filósofo Mario Sergio Cortella, é “cativada quando eu tenho reconhecimento, quando as pessoas são transparentes comigo, quando fico sabendo com clareza dos planos, quando não sou tratado apenas como uma peça da engrenagem”.

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